Como governador, Confúcio não pagava nem o piso nacional do magistério; agora senador, educação virou prioridade em verso e prosa

Como governador, Confúcio não pagava nem o piso nacional do magistério; agora senador, educação virou prioridade em verso e prosa

O emedebista levou suas analogias textuais escrevinhadas em seu blog particular até então ao plenário do Senado Federal

Porto Velho, RO – “Tem muita esperança no Brasil. Mas que coisa é essa de esperança? Eu não como esperança! Eu não engulo esperança! O que que é esperança?”.

O trecho do discurso entoado pelo congressista Confúcio Moura (MDB) na última segunda-feira (18), no plenário do Senado Federal, trouxe as conhecidas figuras de linguagem usadas à exaustão em mais de oito anos através de seu blog particular.

Parlamentares eleitos em outras regiões do Brasil talvez tenham estranhado – ou até admirado – o exagero da veia pretensiosamente poética e supostamente preocupada apresentada pelo ex-governador de Rondônia ao falar sobre a educação.

Saudosista, Confúcio explorou seu passado buscando na memória o período nostálgico de aprendizado absorvido em instituições de ensino públicas, imprescindível, segundo ele, para sua formação cívico-moral, além da própria ascensão intelectual.

Seus pares, ainda não habituados aos pronunciamentos do homem público que abordou no passado em tom de prioridade temas como “a arte de socar”, apresentou receita de “suquinho verde”, deu dicas aos servidores para manterem os corpos “lindos e maravilhosos”, sugeriu a construção de uma máquina do tempo (teletransporte) e, como médico, desdenhou do Transtorno de Déficit de Atenção (TDA) – doença crônica que inclui dificuldade de aprendizado, agora se deparam, pessoalmente, com a personificação da contradição e do surrealismo político. Isso sem contar as ofensivas retóricas contra os direitos dos trabalhadores, especialmente servidores públicos, assegurados pela Constituição Federal de 88.

Confúcio Moura passou quase uma década com as rédeas do Poder Executivo. Ele não compreende em que período da história a “educação se perdeu”. Num esforço reducionista, também foge à autocrítica ao deixar de citar que, até abril do ano passado, Rondônia, sob seu comando, não pagava nem sequer o piso nacional do magistério, coisa que foi compelido a fazer por conta da greve dos educadores após 45 dias extenuantes de manifestações e pressão.

Em verso e prosa, como sempre fez, é absolutamente tradicionalista, é inegável, muito criativo na condição de autor de ficção, reconheçamos, visto que professores e educandários brasileiros continuam tratados no plano da volatilidade discursiva embrenhada à verve poética; quando tinha a caneta entre os dedos, no entanto, omitiu-se ao deixar de imprimir à realidade  as fantasias pulverizadas por suas sinapses artísticas.

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Autor / Fonte: Vinicius Canova

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