Editorial – Durante a campanha, políticos são obrigados a tirar a cabeça do casco e acabam experimentando o próprio veneno

Editorial – Durante a campanha, políticos são obrigados a tirar a cabeça do casco e acabam experimentando o próprio veneno

Porto Velho, RO – A cada quatro anos os políticos com mandato reaparecem nas ruas, entopem as redes sociais com postagens, em reuniões com trabalhadores, nas caixas de correio e, se você leitor (a) olhar agora, talvez até debaixo de sua cama. Pode soar exagerado, mas a busca pela reeleição é, paralelamente à constatação deste editorial, franco exercício abusivo da propanga eleitoral enganosa.

No período em que hibernam no regozijo proporcionado pelos seus gabinetes blindados e à prova de povo, essas figuras, de tão distantes da sociedade rondoniense, por vezes são esquecidas, ignoradas, enquanto fazem o que bem entendem na Assembleia Legislativa (ALE/RO) ou lá em Brasília, tanto na Câmara Federal quanto no Senado.

Quando ganham as manchetes – inclusive as nacionais – surgem se posicionando contra aqueles que os elegeram: votam para prejudicar trabalhadores e são a favor da perda de direitos.

Não estão nem aí.

Aqui, boa parte da composição no Legislativo autorizou aumento para secretários de Estado ainda na gestão Confúcio Moura (MDB), isso enquanto servidores da Educação imploravam à míngua por valorização salarial; tentou incorporar o vergonhoso auxílio-alimentação no valor de R$ 6 mil – sem necessidade de comprovar gastos, embora não tenha conseguido.

Lá, no Congresso Nacional, tivemos uma parlamentar que ignora todos os números sobre violência contra a mulher e as desigualdades vivenciadas pelo eixo feminino em sociedade.

“A mulher que acaba sentindo uma diferença no tratamento é quando ela própria [sic] se vitimiza e se coloca num lugar de coitada, de que é mulher”, disse a quem quisesse ouvir. E claro, foi aplaudida por uma trupe de homens engravatados que adoraria deixar  as mulheres numa eterna condição de subserviência ao mundo masculino.

Isso sem contar que ela e boa parte de seus colegas da bancada de Rondônia votaram a favor do congelamento dos gastos públicos inviabilizando investimentos maiores em setores primordiais como saúde, educação e segurança pública.

Só que agora é período eleitoral e todos eles são obrigados a tirar a cabeça do casco. Antes escondidos, hoje assumem a personificação da vidraça e estão à mercê das pedradas que outrora lançavam à direção dos cidadãos.

Estão, pelo menos temporariamente, provando do próprio veneno; o poderio econômico pode até fazer com que sejam reeleitos, porém só o fato de serem obrigados a ouvir, ler e enxergar de perto os danos que causaram é um pequeno alento a quem não conseguiu compreender ainda o poder e as dimensões intangíveis do próprio voto.

Autor / Fonte: Rondoniadinamica

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