Editorial – Eles não aprendem nunca...

Editorial – Eles não aprendem nunca...

Porto Velho, RO – O novo presidente da Câmara de Porto Velho, Edwilson Negreiros, do PSB, foi buscar em John Fitzgerald Kennedy, o 35º presidente dos Estados Unidos, aquele que fora assassinado a tiros no dia 22 de novembro de 1963 em Dallas, Texas, por Lee Harvey Oswald, a inspiração para contagiar seus pares e servidores da Casa a partir de agora.

“Não pergunte o que seu país pode fazer por você. Pergunte o que você pode fazer pelo seu país”, retirou o trecho de um chamado histórico à nação norte-americana patrocinado pelo democrata reconhecido inclusive – entre outros tantos predicados – pela finesse oratória.

Negreiros gostou tanto de se assistir entoando o discurso parafraseado que resolveu lançar o vídeo de apenas 30 segundos em suas redes sociais.

As rédeas do Legislativo nanico saíram das mãos de Maurício Carvalho, do PSDB, e passaram às suas desde a segunda-feira (04), quando ocorrera a primeira sessão legislativa do biênio subsequente já com outra cúpula gerencial nas hostes edílicas.

Frases de efeito pinçadas de grandes líderes mundiais costumam rechear arengas vazias e empolgar torcidas sem esforço; e mesmo com a facilidade promovida pela Internet quando o assunto é trazer o passado recente à discussão, não há o mínimo rubor no rosto de agentes públicos que pregam uma coisa e praticam outra diametralmente oposta à retórica.

O que você pode fazer por Porto Velho, Edwilson Negreiros?

Bem, se o questionamento apresentado por JFK fosse levado em consideração pelo presidente, que aparentemente quer vê-lo aplicado só do umbigo para fora, não teria, jamais, nomeado a raposa para tomar conta do galinheiro.


Flávio Lemos: a raposa cuidando do galinheiro

Antes de esquentar a cadeira central da Mesa Diretora e incutir reflexão ao público, deu sinais claros do que pode e irá fazer pela Capital ao contratar Flávio Honório de Lemos como diretor Administrativo e Financeiro do Poder – justamente um homem condenado por desviar dinheiro público.

E de onde? Sim, da própria Câmara de Porto Velho, à época em que ocupou uma das cadeiras também na condição de vereador.

O alerta feito pelo jornal eletrônico Rondônia Dinâmica chamou a atenção do Ministério Público (MP/RO), que já pediu explicações acerca da nomeação. O ato oficial pode ter resvalado na Lei Municipal nº 2.031/12, conhecida como Lei da Ficha Limpa Municipal, porquanto Flávio Lemos, além de condenado por órgão colegiado, também conserva restrições eleitorais, estas que o impediram de concorrer a deputado estadual nas eleições de 2018.

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Portanto, por que atravessar o continente quando o melhor ilustrador da política tupiniquim é um verdadeiro patrimônio cultural brasileiro?

Sobre o uso de JFK no discurso de Edwilson Negreiros, o saudoso e inesquecível Millôr Fernandes registraria: “Político é um sujeito que convence todo mundo a fazer uma coisa da qual ele não tem a menor convicção”. Agora, se a intenção fosse comentar a nomeação de Flávio Lemos, seria certeiro: “A probidade não tem cúmplices”.

Pois é, Millôr, eles não aprendem nunca.

Autor / Fonte: Rondoniadinamica

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