Editorial – Governador nada contra a corrente do próprio ensinamento: ‘Omissão também é uma forma de pecado’

Editorial – Governador nada contra a corrente do próprio ensinamento: ‘Omissão também é uma forma de pecado’

'Confusonismo' na fala; confucionismo na prática / Fotomontagem: Rondoniadinamica

Porto Velho, RO – No dia 26 de fevereiro deste ano o jornal Rondônia Dinâmica publicou entrevista exclusiva com o secretário de Estado da Educação Florisvaldo Alves da Silva, o Valdo.

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Entre as declarações apresentadas, o representante da pasta revelou que só aceitou o convite do governador Confúcio Moura (MDB) para comandar a Educação após ser confrontado com a frase: “Omissão também é uma forma de pecado”, mencionada como cartada final pelo chefe do Executivo.

Funcionou!

Mas embora a assertiva soe como apenas mais um entre os inúmeros clichês próprios das manifestações literárias de Moura, há, entretanto, consistência a ser levada em conta tanto no caso do áudio vazado quanto em relação às operações que atingiram o seu governo nos últimos oito anos. A negligência foi sempre a marca principal de suas reações – dando de ombros à sociedade que o elegeu, como se sua administração estivesse voltada exclusivamente aos asseclas do Palácio Rio Madeira.

O emedebista infelizmente incorporou o adágio faça o que eu digo, não faça o que eu faço, já que em vez de nortear-se pelos próprios ensinamentos leva consigo a máxima de seu xará chinês, o filósofo Confúcio:

“O silêncio é um amigo que nunca trai”.

E se o confucionismo xintoísta contrasta sobremaneira com a filosofia exortada pelo “confusonismo” tupiniquim, resta aos rondonienses questionarem as motivações e o comportamento letárgico de Confúcio Moura diante dos escândalos, prisões, condenações e agora até mesmo possível submissão diante de pretensas chantagens propaladas por parte do Legislativo.


Confúcio é adepto do silêncio confucionista no que diz respeito a coisas importantes

Termópilas, Plateias, Ludus e até a própria Apocalipse foram operações que rondaram a gestão de Confúcio e, em contrapartida, não se ouviu ou viu quaisquer manifestações espontâneas do homem na cadeira-mor do azulado Palácio Rio Madeira. Quando resolveu falar alguma coisa, claro, foi por conta do “convite amigável” para prestar esclarecimento à Polícia Federal (PF) em 2014. E por “convite amigável” leia-se condução coercitiva.


Confúcio só fala quando "convidado amigavelmente"

A Apocalipse, diferentemente das demais, não o atingiu especificamente, pois, de acordo com o histórico da operação, foi uma incursão de cunho político deflagrada pelo ex-secretário de Segurança Marcelo Bessa para anular adversários com gastos exorbitantes e ações cinematográficas, porém sem resultados. E se Confúcio figura como suposta vítima no episódio recente do áudio vazado, ou da escuta ilegal, como queira o leitor, é bom parafrasear o jornalista Gerson Costa, do Rondoniagora, que, em julho de 2013, publicou:

“Se foram capazes de armar contra o presidente da Assembleia Legislativa [à época era o deputado Hermínio Coelho], imagine nós, pobres jornalistas, caso a cúpula de segurança nos encare como ameaça para o projeto de reeleição do Governo do PMDB [Confúcio acabou reeleito]. Sem sombra de dúvidas, os cidadãos de Rondônia vivem numa grande grampolândia. Todos, senão a maioria, inclusive você leitor, pode estar nos grampos do Guardião. Típico dos regimes de exceção”.

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Por isso o governador que promete “Conversa aberta com o rondoniense”, subtítulo do Blog do Confúcio, poderia – e deveria – abrir mão, pelo menos um pouco, das poesias, textos lúdicos sobre construção de máquinas do tempo, apresentação de receitas de suquinho fitness, das menções sobre a importância do pilão na vida das pessoas e até mesmo das dicas “importantíssimas” para que os servidores mantenham seus corpos “lindos e maravilhosos” para apresentar ao menos uma única vez na vida o que realmente interessa: uma justificativa plausível sobre seus últimos e desconcertantes atos de governo.

Por que homens públicos respeitados como o coronel Mauro Ronaldo Flores e o engenheiro Josafá Piauhy Marreiro foram enxotados a canetadas e em menos de cinco dias, respectivamente, do Comando-Geral da Polícia Militar (PM/RO) e da Direção-Geral do Departamento de Estradas de Rodagem (DER/RO)? Por que todo esse silêncio? Por que desconversar?


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Por quê?
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O povo quer saber e espera – pelo menos em sua grande maioria – que Confúcio seja menos xintoísta e passe a agir mais de acordo com suas convicções e instruções. Lembre-se: omissão também é uma forma de pecado!

Autor / Fonte: Rondoniadinamica

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