Europa privilegiará acordo com países que respeitam as mulheres

Europa privilegiará acordo com países que respeitam as mulheres

Membros do Parlamento Europeu participar de uma sessão de votação, em Estrasburgo, na França nesta terça-feira (14) (Carl Court/Getty Images)

O plenário do Parlamento Europeu (PE) reivindicou, nesta terça-feira, que os acordos comerciais incorporem cláusulas de perspectiva de gênero para que a União Europeia (UE) não se associe a países que não respeitam a dignidade da mulher.

Atualmente, já existe uma resolução com a curadora europeia de Comércio, Cecilia Malmstrom, para a exigência de cláusulas de respeito às mulheres no acordo com o Chile, mas os eurodeputados querem que essa prática seja ampliada e faça parte dos próximos compromissos como os da UE com o México e com os países do Mercosul.

O texto aprovado hoje pelo parlamento, sem caráter vinculativo, pede que a UE fomente o espírito empresarial feminino nos países em desenvolvimento, com foco principalmente naqueles onde as mulheres enfrentam mais limitações do que os homens no acesso ao crédito, à infraestrutura e aos ativos produtivos. A iniciativa pede que as mulheres se beneficiem também dos acordos e não se limitem a fazer parte como mão de obra barata.

Os eurodeputados lembraram, por exemplo, a falta de proporcionalidade entre o número de mulheres nos setores de exportação agrícola ou que são proprietárias de terra. Também foram reivindicadas avaliações de impacto dos acordos comerciais da UE no empoderamento da mulher e a igualdade de gênero e participação de mulheres e pessoas especialistas em igualdade em todas as fases de negociação dos acordos comerciais.

“O comércio internacional deve contribuir muito mais ao empoderamento das mulheres e na luta contra a feminização da pobreza”, disse no debate anterior ao voto a eurodeputada Inmaculada Rodríguez-Piñero.

Ela afirmou que a UE deve abandonar a visão “cega” de considerar que a política comercial é neutra e garantir a inclusão da perspectiva de gênero em todas as negociações.

“Somos a metade da população, mas representamos mais de 70% das pessoas mais pobres do mundo”, argumentou.

Autor / Fonte: EFE

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