Parlamento espanhol aprova exumação do corpo do ditador Franco

Parlamento espanhol aprova exumação do corpo do ditador Franco

O parlamento espanhol aprovou nesta quinta-feira (13) a proposta do Governo socialista de autorizar a exumação dos restos mortais do ditador Francisco Franco do mausoléu no Vale dos Caídos, arredores de Madri.

A decisão foi tomada por 172 votos a favor, dois contra e 164 abstenções, entre as quais as dos deputados do Partido Popular (direita) e Cidadãos (direita liberal).

Depois da sua chegada ao poder no início de junho, o primeiro-ministro, Pedro Sánchez, revelou a determinação em transferir os restos mortais do ditador para fora do Vale dos Caídos, que se transformaria em um local de "reconciliação" nacional.

"Justiça. Memória. Dignidade, Hoje, a Espanha dá um passo histórico [...]. Hoje, a nossa democracia está melhor", reagiu Pedro Sánchez através da sua conta na rede social Twitter.

Francisco Franco Bahamonde foi um militar espanhol que integrou o golpe de Estado que, em 1936, marcou o início da Guerra Civil Espanhola, tendo exercido desde 1938 o lugar de chefe de Estado até morrer em 1975, ano em que se iniciou a transição do país para um sistema democrático.

Em nome de uma suposta "reconciliação" nacional, Franco transferiu a partir de 1959 os restos mortais de 37.000 vítimas - nacionalistas e republicanos - da guerra civil, para o local que é visto como exaltador da ditadura franquista.

A vice-primeira-ministra espanhola, Carmen Calvo, defendeu o fim de "uma anomalia extraordinária que consiste em ter um ditador num mausoléu do Estado e num local onde pode ser exaltado".

"Não haverá respeito, honra ou concórdia enquanto os restos de Franco estiverem no mesmo lugar das vítimas", disse Carmen Calvo.

Entretanto, o Governo espanhol indicou sua intenção de completar a exumação do corpo do ditador até o fim do ano.

A Fundação Franco e os seus descendentes, que perentoriamente se opõem à exumação, já avisaram que iriam utilizar "todos os meios legais" para se oporem à operação, mas admitiram, no final de agosto, que aceitariam os restos do corpo caso a exumação se concretizasse.

A esquerda espanhola reivindica justiça para as vítimas da guerra civil e da repressão, milhares dos quais ainda estão enterradas em valas comuns espalhadas por todo o país.

Os conservadores do Partido Popular, que se abstiveram na votação de hoje, acusam a esquerda estar a reabrir as feridas de um passado doloroso. 

Autor / Fonte: LUSA

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