



Quando se entra em uma das centenas lan houses espalhadas pela cidade de Porto Velho logo se nota crianças jogando, individualmente ou em grupo, games ultra-violentos, com cenários virtuais marcados por sangue e golpes fatais, em eletrizantes confrontos que contam com explosivos e modelos variados de armas de fogo. É esse tipo de entretenimento que vem atraindo e fascinado crianças e adolescentes, aumentado o faturamento dos proprietários das casas de jogos. E, por outro lado, trazem preocupações à profissionais que alertam sobre os perigos desses jogos que fazem parte da vida de milhares de crianças.
A psicóloga, Jaser Ferreira, graduada pela Universidade Federal de Rondônia, aponta que o sadismo virtual causa nas crianças a perda progressiva da sensibilidade no contato visual com a violência. "Diversos estudos já realizados revelam que esses jogos eletrônicos nocivos resultam na banalização da violência, ou seja, levam as crianças a ver crimes bárbaros como se fossem normais e aceitáveis. Mas, essa é apenas uma das muitas conseqüências negativas exercidas por esses produtos na vida das crianças.", frisou a psicóloga.
Para a pedagoga, Sheylla Sacramento, os jogos violentos, que hoje são cada vez mais comuns nas lan houses, tornam as crianças mais agressivas na sala de aula. "Esses jogos estão gerando uma verdadeira cultura da agressividade. Na própria sala de aula dá para se notar que, normalmente, as crianças que mais apresentam comportamento agressivo, são aquelas que possuem o hábito de praticar esses tipos de jogos violentos", disse a educadora.
EXEMPLO A SER SEGUIDO
Em janeiro de 2007 entrevistei o empresário Sebastião Jacarandá, 60, que é proprietário de uma das lan houses de grande movimento no centro da Capital. Na ocasião, o senhor Sebastião me revelou sobre a decisão de eliminar de seu estabelecimento os jogos que ele considerou como sendo violentos, mesmo sabendo que sofreria queda no faturamento.
Veja o que ele disse na entrevista:
"Com a experiência que tivemos com jogos como GTA e Counter Strike deu para tirar a conclusão que eles dão realmente muito lucro. Mas eu optei por não trabalhar mais com esses jogos porque eu sou pai e avô, pois o que não quero para meus filhos, não quero para os filhos dos outro. Esses tipos de jogos são uma ameaça para as crianças".
O senhor Sebastião Jacarandá é um porto-velhense que considero exemplo para muitos proprietários de lan houses. Inclusive, em 2008, o estabelecimento dele completou três anos sem jogos violentos.
AMEAÇA NAS LANS

Um dos jogos mais locados nas lan houses de Porto Velho por crianças de várias faixas etárias é o GTA (Grand Theft Auto), no qual o jogador encarna o personagem Tommy Vercetti, um gangster que sai da prisão depois de 15 anos, e que, para se promover na organização criminosa precisa roubar carros a agredir pessoas. Nesse jogo, quanto maior for o número de delitos ou ações criminosas praticadas, maior é a pontuação. Ainda há a opção de assassinar pedestres por atropelamento, espancamento, ou usando armas de fogo. No GTA, um dos crimes mais comuns é o Latrocínio (roubo seguido de morte da vítima).
Tudo isso é muito sério!
Até a próxima!
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