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EDITORIAL

Consórcio intermunicipal de corrupção em 2020; uma década e meia após ‘‘aquele’’ Fantástico, Rondônia perdeu a capacidade de se indignar

Publicada em 26/09/2020 às 09:36

Porto Velho, RO – A deflagração da Operação Reciclagem ocorrida na última sexta-feira (25) pela Polícia Federal (PF) em parceria com o Ministério Público (MP/RO) levou quatro prefeitos do interior para a cadeia.

Ao menos por ora.

São eles: Marcito Aparecido Pinto (Ji-Paraná); Luiz Ademir Schock, conhecido como Luizão do Trento (Rolim de Moura); Gislaine Clemente (São Francisco do Guaporé); e Glaucione Maria Rodrigues Neri (Cacoal).

Daniel Neri, ex-deputado estadual e marido de Glaucione, também foi preso.

Além do quinteto, vídeo veiculado com exclusividade pela Rede Globo de Televisão mostrou que José Eurípedes Clemente, o deputado estadual Lebrão (MDB), encheu ao menos um saco de lixo com a propina bancada pelo empresário-delator.

O empreendedor, diga-se de passagem, aparentemente cansou de ser extorquido pelo consórcio intermunicipal abjeto instituído especificamente para cobrar o “pedágio” dos contratos firmados com cada uma dessas cidades.

A situação constrangedora, que lança o estado mais uma vez no mapa da vergonha nacional, remete “àquele” Fantástico de maio de 2005, época em que o então governador Ivo Cassol expôs – também em vídeo –, parlamentares que faziam “fila” em sua casa com a única intenção de extorqui-lo.

O caso caiu com uma bomba nuclear e foi tão significativo que até hoje consta no memorial jornalístico da Globo na seção dedicada ao Fantástico [clique aqui para relembrar].

No dia 04 de agosto de 2006, pouco mais de um ano após a exibição daquele programa divisor de águas na política rondoniense, especialmente sobre como a população vê os seus representantes, a PF deu início à Operação Dominó – cujos reflexos jurídicos-institucionais perduram até hoje.

Por que relacionar as duas coisas? Porque há um elo distinto entre ambas as situações: Dominó e Reciclagem se unem de forma umbilical por determinado personagem, o ex-deputado Daniel Neri, marido de Glaucione.

Quantas chances ele terá até que a punição derradeira seja aplicada com rigor? O que está faltando para que passe o resto dos seus dias na cadeia?


Daniel Neri, o elo de uma década e meia entre Dominó e Reciclagem / Reprodução

É inadmissível que um cidadão se sinta tão confortável a ponto de aparecer pessoalmente para escoltar a esposa na hora de receber propina, fruto de um achaque descarado patrocinado em cima de contrato com o poder público.

Aliás, é sintomática a despreocupação de todos os acusados porquanto rechaçam a figura do “homem da mala”, o arquétipo que outrora servia como intermediário das transações escusas travadas à penumbra das instituições de fiscalização e controle.

Para abrir mão desse “método de segurança” utilizado ao longo da história na grande maioria dos propinodutos, Marcito Pinto, Luizão do Trento, Lebrinha, Glaucione, Daniel e Lebrão certamente se sentem mais do que confortáveis para bater ponto de cara limpa, ignorando as entidades guardiãs da lei e da ordem, incluindo as polícias judiciárias, os ministérios públicos e todas as hostes do Poder Judiciário.

Da Dominó à Reciclagem já se passaram mais de uma década e meia, e o que mudou de lá para cá, que também contribui sobremaneira com o descaramento dos agentes obtusos e o fomento à sensação de impunidade, é, para todos os efeitos, o fato de a sociedade ter perdido a capacidade de se indignar.


Ellen Ruth, ex-deputada, disse que propina é de praxe quando foi extorquir Cassol em 2005.
Operação Reciclagem prova que ela tinha razão / Reprodução-Fantástico

Em 2005, só se falava “naquele” Fantástico avassalador. A raiva e a decepção permeavam todos os cantos, inclusive nas escolas, mesmo nas crianças que mal sabiam compreender exatamente o corrido, embora entendessem o óbvio: era errado. E ponto. Bastava isso, saber que era errado para o brado coletivo ocupar o cotidiano das pessoas até que algo objetivo exsurgisse como resposta aos maus-feitos.

Agora, R$ 5 milhões em dinheiro vivo na casa de um prefeito é tema para duas ou três postagens insurgentes nas redes sociais. E só.

É triste. É vergonhoso. É patético. É assombroso. É aterrorizante. É. É tudo isso. E ao mesmo tempo é passageiro, ignorável. É o tema de ontem. É.

É...

Foi.

Próximo assunto!

Fonte: Rondoniadinamica

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