MANIFESTAÇÃO Indignação indígena se espalha em Quito militarizada e exausta Publicada em 23/06/2022 às 09:52 Em seu rastro, as ruas esvaziam e as lojas fecham. Milhares de indígenas procedentes de lugares distantes avançam em uma Quito exausta e militarizada, dispostos a ficar até que o governo ceda às suas reivindicações ou caia. Os manifestantes recuperam forças à noite, alojados em duas universidades, e antes do meio-dia se dispersam em grupos. Eles carregam bastões, escudos artesanais e whipalas, a bandeira multicolorida dos povos nativos dos Andes. Deixam para trás barricadas com toras e pneus queimados e fogueiras em plena luz do dia. Um setor do norte da cidade começa a paralisar. "Pode levar um mês, dois meses (...). A guerra virá, mas aqui vamos lutar até destituir o presidente", grita María Vega, 47 anos, que sobrevive fazendo vários trabalhos diferentes. Quando as forças combinadas de soldados e policiais interrompem sua manifestação, eles mudam de rumo. Os acessos à sede presidencial estão bloqueados com cercas metálicas, arame farpado e por homens uniformizados. O presidente Guillermo Lasso, ex-banqueiro conservador. no poder há um ano, vê na revolta uma tentativa de derrubá-lo. Não em vão o país ganhou fama de "ingovernável" após a saída abrupta de três presidentes entre 1997 e 2005 por pressão dos indígenas. Mas nem o destacamento militar, nem o toque de recolher, nem os insultos dos afetados pela paralisação os detêm. Os indígenas desafiam o estado de exceção sob o nariz do governo, que obrigou os militares a sair do quartel para tentar recuperar o controle. Faz 11 dias que os indígenas deixaram suas comunidades rurais, mas só na segunda-feira chegaram a Quito, com uma queixa comum: o alto custo de vida. Eles querem que o governo decrete redução nos preços dos combustíveis, entre outras medidas para amenizar o aumento da cesta básica. - Reivindicações - Na linha de frente dos protestos, nos quais dois manifestantes morreram e foram registradas dezenas de feridos entre policiais e indígenas, está a Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie). Além da questão do combustível, a Conaie pede uma moratória de um ano nos empréstimos bancários e uma política de controle de preços contra a especulação e o mercado de alimentos. "Os custos dos produtos químicos são tão altos que os agricultores têm que trabalhar com prejuízo", resume a indígena Zamora. Outros pedidos, como um orçamento maior para saúde e educação, são adicionados ao leque de reivindicações. Os protestos também impactam os comerciantes e funcionários de Quito, que tentam se recuperar após a grave crise causada pela pandemia. Em 2019, os indígenas avançaram sobre Quito para que o governo da época desistisse de um acordo com o FMI que, na prática, eliminava subsídios milionários aos combustíveis. Naquele momento, 11 manifestantes morreram e mil ficaram feridos em todo o país. Três anos depois, algumas cenas se repetem. Avenidas bloqueadas, acessos militarizados, comércios fechados e uma cidade dividida em facções. Fonte: AFP Leia Também Indignação indígena se espalha em Quito militarizada e exausta Hackers russos atacaram 42 países desde início da guerra na Ucrânia Município oferecerá quase 20 imunizantes diferentes em campanha de vacinação neste sábado (25) Líder birmanesa Aung San Suu Kyi colocada em isolamento em prisão Prefeitura agora conta com opção em Pix para o recebimento de tributos municipais Twitter Facebook instagram pinterest