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TENSÃO

China alerta que não vai tolerar 'separatistas' taiwaneses

A advertência de Pequim foi divulgada após vários dias de manobras militares chinesas ao redor de Taiwan

Por AFP
Publicada em 10/08/2022 às 09h39

A China afirmou que adotará a política de tolerância zero com as "atividades separatistas" em Taiwan e insistiu que retomará a ilha pela força, se necessário, de acordo com um livro branco publicado nesta quarta-feira (10).

"A Questão de Taiwan e a Reunificação da China na Nova Era", o livro branco publicado pelo Escritório de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado chinês, define como Pequim pretende tomar a ilha por meio de incentivos econômicos e pressão militar.

"Estamos preparados para criar um vasto espaço para a reunificação pacífica, mas não deixaremos espaço para atividades separatistas de nenhuma forma", destaca o livro branco.

A advertência de Pequim foi divulgada após vários dias de manobras militares chinesas ao redor de Taiwan, organizadas em resposta à visita a Taipé da presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi.

A congressista se tornou na semana passada a principal autoridade americana a visitar Taiwan em décadas, apesar da ameaça de represálias da China, que busca manter Taipé isolada do cenário mundial.

"Trabalharemos com a maior sinceridade e faremos todo o possível para alcançar a reunificação pacífica. Mas não renunciaremos ao uso da força e nos reservamos a opção de adotar todas as medidas necessárias", destaca o documento.

"Isto é para nos proteger contra a interferência externa e todas as atividades separatistas. De nenhuma maneira tem como alvo nossos compatriotas chineses em Taiwan. O uso da força será o último recurso tomado em circunstâncias terríveis", acrescenta.

A edição anterior do livro branco sobre Taiwan foi publicada pela China no ano 2000.

O novo documento foi divulgado no mesmo dia que um líder da oposição taiwanesa viajou à China para reunir-se com empresários taiwaneses, apesar do pedido de Taipé para que cancelasse a viagem.

Andrew Hsia, vice-presidente do partido Kuomingtan, de tendência pró-Pequim, fez a visita em caráter pessoal e não passou por Pequim.

Mas a presidente taiwanesa Tsai Ing-wen o criticou duramente por atravessar o Estreito de Taiwan no momentos em que a China executa manobras ao redor da ilha.

Desde a década de 1990, a ilha passou de uma autocracia para uma democracia vibrante e desenvolveu uma identidade taiwanesa particular.

As relações entre as duas partes pioraram desde 2016, quando chegou ao poder a atual presidente Tsai, cujo Partido Progressista Democrático não considera Taiwan como parte da China.

Sua plataforma se encaixa na definição do que a China considera separatismo taiwanês, que também inclui aqueles que desejam que a ilha tenha uma identidade separada do território continental.

- Temor de invasão -

O livro branco chinês promete a Taiwan prosperidade econômica, assim como "mais segurança e dignidade" depois da "reunificação".

Mas a oferta foi divulgada depois do maior exercício militar que a China organizou ao redor da ilha, incluindo simulações de bloqueio.

As manobras geraram o temor de que as autoridades comunistas chinesas estariam preparando uma invasão.

Os exercícios deveriam ter acabado no domingo, mas prosseguiram durante a semana, sem um anúncio sobre a data de encerramento.

O Exército Popular de Libertação (EPL) revelou nesta quarta-feira detalhes dos exercícios executados na véspera ao redor Taiwan.

O comando leste do EPL afirmou que as simulações de terça-feira se concentraram em estabelecer domínio aéreo, liberar vídeos e fotos dos aviões de combate ao decolar e realizar manobras, como reabastecer em pleno voo com um avião-tanque.

As Forças Armadas anunciaram posteriormente que completaram "com sucesso várias tarefas", sem explicar se mais exercícios estão programados.

"As tropas (no leste) vão monitorar as mudanças na situação do Estreito de Taiwan, continuarão realizando treinamentos militares e se preparando para a guerra", acrescentou o EPL.

Taiwan acusa a China de utilizar a visita de Pelosi como pretexto para treinar uma invasão.

A ilha executou os próprios exercícios militares para contra-atacar uma ação a seu território e divulgou imagens das manobras de seu exército, marinha e aeronáutica.

Os exercícios taiwaneses provocaram outro alerta chinês na terça-feira.

Qualquer conspiração para "resistir à reunificação por meio das armas... terminará em fracasso, como um inseto que tenta parar uma carruagem", disse o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Wang Wenbin.

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