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INVESTIGAÇÃO

Governo de Israel promete ação no escândalo de espionagem policial Pegasus

Em um comunicado, o primeiro-ministro Bennet prometeu que o governo "não deixará o tema sem resposta"

Por AFP
Publicada em 07/02/2022 às 15h46

O governo de Israel prometeu nesta segunda-feira (7) uma resposta e investigações sobre o escândalo de espionagem policial de políticos, jornalistas e empresários com o software Pegasus, objeto de novas revelações.

O jornal econômico Calcalist informa que a polícia israelense hackeou, em larga escala, os smartphones de personalidades públicas, jornalistas e integrantes da equipe do ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu graças ao programa Pegasus, alegações consideradas "muito sérias" pelo atual chefe de Governo, Naftali Bennet.

Após as primeiras revelações do Calcalist, que levaram a Justiça a abrir uma investigação em 20 de janeiro, a polícia admitiu, na semana passada, que usou softwares de espionagem "sem mandado", mas não citou o software Pegasus, criado pela empresa israelense NSO.

Na edição desta segunda-feira, o Calcalist afirma que era habitual usar o programa Pegasus para obter informações e que o software foi utilizado sem autorização judicial contra Avner Netanyahu, um dos filhos do ex-primeiro-ministro, conselheiros deste, jornalistas e prefeitos.

Em um comunicado, o primeiro-ministro Bennet prometeu que o governo "não deixará o tema sem resposta". 

"O que se alega que aconteceu aqui é algo muito sério", disse Bennet.

O primeiro-ministro israelense considera, no entanro, que o programa Pegasus é um instrumento "importante na luta contra o terrorismo, mas que não pode ser usado como espionagem eletrônica contra a população israelense, ou contra autoridades políticas e econômicos".

"Por esta razão, devemos compreender exatamente o que aconteceu", acrescentou o primeiro-ministro.

"Esta informação aparentemente descreve uma situação muito grave, o que é inaceitável em uma democracia", acrescentou. 

O presidente Isaac Herzog disse que está em jogo a credibilidade das instituições. "Não devemos perder nossa democracia. Não devemos perder nossa polícia. E não devemos perder a confiança pública nelas", declarou nesta segunda-feira.

Pegasus é um programa de vigilância que pode ativar a câmera, ou o microfone, de um telefone para coletar suas informações.

O software provocou uma controvérsia mundial no ano passado, após revelações de que foi adquirido por governos estrangeiros para espionar jornalistas e dissidentes em países como México, Hungria, Polônia e Arábia Saudita.

- Vigilância em larga escala -

De acordo com o jornal Calcalist "dos chefes de gabinete ministeriais, até jornalistas e empresários, a infecção em larga escala com o Pegasus afetou todos, de ativistas dos direitos das pessoas com deficiência e dos etíopes no país, a executivos de grandes empresas e parentes do primeiro-ministro".

"Com as revelações", o comandante da polícia israelense, Yaakov Shabtai, afirmou, em um comunicado, que solicitou ao ministro da Segurança Pública, Omer Bar-Lev, a abertura de uma investigação externa e independente para "restaurar a confiança do público e regulamentar o uso da tecnologia por parte da polícia".

Bar-lev garantiu que vai pedir autorização para criar essa comissão de investigação.

Na semana passada, a imprensa israelense informou que a polícia é suspeita de ter hackeado o telefone de uma testemunha-chave no processo de Benjamin Netanyahu.

Primeiro-ministro de 2009 a 2021, Netanyahu enfrenta acusações de suborno, fraude e abuso de confiança. Ele nega todas.

O processo ainda vai demorar muitos meses, e os recursos podem durar ainda mais.

O grupo israelense de segurança cibernética NSO, proprietário do software Pegasus, não negou nem confirmou a venda do programa para a polícia, mas destacou que "em nenhum caso está envolvido no funcionamento do sistema, uma vez vendido para os clientes".

Várias investigações publicadas no ano passado por um consórcio de 17 veículos de comunicação internacionais afirmaram que o programa da NSO possibilitou a espionagem dos telefones de jornalistas, empresários e políticos, incluindo chefes de Estado, em vários países.

Geral INVESTIGAÇÃO
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