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FATALIDADE

Autoridades de Bangladesh acusam operador de depósito após incêndio que deixou 49 mortos

Ao menos 49 pessoas morreram - incluindo nove bombeiros - e 300 ficaram feridas.

Por AFP
Publicada em 06/06/2022 às 14h14

As autoridades de Bangladesh acusaram nesta segunda-feira (6) o operador do depósito em que aconteceu uma gigantesca explosão que deixou 49 mortos de não ter informado os bombeiros sobre a presença de produtos químicos nos contêineres quando os agentes chegaram ao local para controlar as chamas.

O incêndio foi declarado no sábado às 21H30 locais em um depósito particular onde estavam quase 4.000 contêineres, em Sitakunda, a 40 quilômetros do porto de Chittagong, sudeste do país. 

Centenas de bombeiros compareceram ao local para lutar contra as chamas, que atingiram vários contêineres com produtos químicos, o que provocou uma grande explosão uma hora mais tarde.  

Ao menos 49 pessoas morreram - incluindo nove bombeiros - e 300 ficaram feridas. Dez estão em situação crítica e recebem tratamento na capital Daca. 

O secretário de Saúde de Chittagong, Elias Chowdhury, afirmou que foi necessário convocar médicos que estavam de folga para tratar os feridos.

Fora dos hospitais, os familiares dos desaparecidos esperam para fornecer amostras de DNA para a identificação das vítimas. 

Cerca de 36 horas após a explosão, alguns contêineres continuam em chamas, o que dificulta a busca por mais vítimas. 

"Ainda há 30 a 40 contêineres em chamas", declarou um inspetor da brigada de incêndios, Harunur Rashid.

Ele disse que o fogo está controlado, mas que "os produtos químicos são o principal problema". 

"As autoridades do depósito nunca nos informaram sobre a presença de produtos químicos letais. Nove bombeiros morreram. Dois continuam desaparecidos, assim como várias outras pessoas", disse à AFP Mohamad Kamruzzaman, comandante do corpo de bombeiros.

- "Nenhum plano de segurança" -

Purnachandra Mutsuddi, vice-comandante da unidade de bombeiros de Chittagong que dirigiu os trabalhos de controle das chamas, afirmou que o local de 10,5 hectares "não tinha nenhum plano de segurança contra incêndios".

"Um plano de segurança prevê como o depósito vai combater e controlar um incêndio. Mas não havia nada", afirmou à AFP Mutsuddi. "Não fomos informados sobre a presença de produtos químicos. Se tivessem falado, o balanço de vítimas teria sido menor", acrescentou.

Mutsuddi explicou que os bombeiros - sem saber que havia peróxido de hidrogênio dentro do depósito - pulverizaram água, desencadeando uma explosão que "lançou um contêiner voando" a mais de 150 metros. 

"Existem regras sobre o peróxido de hidrogênio. Se soubéssemos, nunca teríamos jogado água. Nunca teríamos levado nosso veículo para dentro do depósito", afirmou.

A empresa em que aconteceu a tragédia, B.M Container Depot, foi criada em um 2012 por empresários de Bangladeh e da Holanda,  que emprega quase 600 pessoas.

De acordo com o site do grupo, o presidente é Bert Pronk, um cidadão holandês com quem a AFP ainda não conseguiu entrar em contato.

De acordo com a imprensa local, entre os diretores da B.M Container Depot está um funcionário de alto escalão do partido no poder, a Liga Awami, em Chittagong.

"Nossa investigação está em curso. Vamos investigar tudo", declarou o chefe de polícia da região, Abul Kalam Azad.

Mujibur Rahman, diretor da B.M. Container Depot, disse que a origem do incêndio ainda não foi determinada. 

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