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GUERRA NA UCRÂNIA

Ucrânia promete continuar contraofensiva e pede mais armas

Até os ataques iniciados na semana passada, Moscou ocupava cerca de 20% do vizinho que invadiu há 202 dias.

Por MSN
Publicada em 13/09/2022 às 11h31

Embalada pelo sucesso de sua contraofensiva na região de Kharkiv, a Ucrânia disse nesta terça (13) que só irá parar quando expulsar todas as tropas russas de seu território. Até os ataques iniciados na semana passada, Moscou ocupava cerca de 20% do vizinho que invadiu há 202 dias.

É um golpe de propaganda, claro, mas guerras são feitas disso também. "O objetivo é liberar a região de Kharkiv e além: todos os territórios ocupados pela Federação Russa", afirmou a ministra-adjunta da Defesa, Hanna Maliar, a repórteres que a acompanhavam na estrada para Balaklia, primeira cidadezinha estratégica retomada por Kiev na ação.

A realidade ainda pode se interpôr. No começo da tarde (início da manhã no Brasil), uma barragem de artilharia pesada foi registrada em quase todos os pontos da frente de Kharkiv, no nordeste do país.

Enquanto reforçavam sua posição para uma longamente protelada ofensiva ucraniana no sul do país, em Kherson, os russos se descuidaram da região nordeste do país, a qual ocupavam parcialmente desde abril. Kiev atacou lá, com grande eficácia, apesar da cautela de analistas acerca de sua capacidade de reter os ganhos.

As forças russas recuaram, e hoje mantêm uma porção bem pequena de Kharkiv. É lá que os combates mais duros estão ocorrendo, pelos relatos desencontrados. Mas a ambição ucraniana tem limites: no sul, sua ofensiva pouco ganhou e no leste, o russófono Donbass, o Kremlin está em posição aparente de força.

Assim, a fala de Maliar remete a pedidos renovados do presidente Volodimir Zelenski, feitos na véspera, para que o Ocidente envie mais armamentos para a Ucrânia. Só os EUA já entregaram e prometeram mais de US$ 15 bilhões (R$ 76,3 bilhões) em ajuda militar, quase quatro vezes o orçamento de defesa regular dos ucranianos.

O motivo é o temor de Kiev acerca da reação europeia às ameaças de Vladimir Putin de deixar o continente sem gás russo quando o inverno do Hemisfério Norte chegar, em dezembro. O chanceler Dmitro Kuleba entregou isso em uma postagem nesta terça no Twitter: "Sinais desapontadores da Alemanha, enquanto a Ucrânia precisa de Leopards [tanques de guerra alemães]. O que teme Berlim?".

Diferentemente dos americanos, as grandes economias europeias são bastante menos efusivas no esforço de armar os ucranianos. E a atual campanha no nordeste do país voltou a provar a importância de tanques e blindados com apoio de infantaria: em poucos números, garantiram o maior sucesso da guerra para Kiev até aqui.

Na vizinha Donetsk (Donbass), o governador da porção ainda controlada por Kiev da província disse esperar uma ofensiva imediata de seus compatriotas. A assertiva parece otimista demais, em linhas com o esforço de imagem dos ucranianos.

Do lado russo, as opções se reduzem para Putin. A pressão entre comentaristas militares e jornalistas chapa-branca para mudanças mais agressivas no rumo da guerra tem crescido tanto que até o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, se dignou a comentá-las.

"Pontos de vista críticos, desde que eles permaneçam dentro da lei, isso é pluralismo, mas a linha é muito, muito tênue e é preciso ser muito cuidadoso nisso", afirmou, sem ironia aparente, já que criticar as Forças Armadas pode dar até 15 anos de cadeia na Rússia. Ele se dirigia ao líder tchetcheno Ramzan Kadirov e ao apresentador Vladimir Soloviev, que haviam questionado a liderança militar do país.

O problema para Putin se chama poderio humano. A resistência em fazer uma mobilização geral e declarar guerra, para evitar impopularidade, tem atrapalhado a Rússia desde o começo do que chama de operação militar especial.

A questão é a realidade. "Durante a Segunda Guerra Mundial, alguém só precisava dizer 'a guerra' para todo mundo saber o que estava sendo discutido. Nós chegamos ao mesmo ponto na guerra russo-ucraniana, e isso não era o que os russos esperavam", escreveu nesta terça o papa da geopolítica americana, George Friedman, da consultoria Geopolitical Futures.

A primeira fase do conflito fracassou por falta de gente, táticas ruins e logística pobre. Na segunda, concentrada no Donbass, houve mais sucesso. A terceira, com a iniciativa ucraniana, voltou a evidenciar a falta de recursos em solo.

Assim, como pondera Friedman, como não pode desocupar a Ucrânia ou buscar a paz agora, sob pena de inviabilizar seu governo, resta a Putin pensar em formas mais eficazes de reunir pessoal. Há relatos de que as forças reunidas no Extremo Oriente para o exercício Vostok-2022 na virada do mês seguiram treinando, mas nada disso é certo neste momento.

Peskov buscou minimizar a questão. "Neste momento, não, não há discussão sobre isso", afirmou, questionado sobre mobilização.

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