Publicada em 27/10/2022 às 14h54
As contribuições financeiras prometidas pelos Estados Unidos e pela União Europeia (UE) para a Ucrânia devem ser suficientes até 2023, se a guerra com a Rússia não piorar - disse a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, à AFP, nesta quinta-feira (27).
"Sim, devemos encarar 2023 com apoio financeiro suficiente para a Ucrânia", afirmou Georgieva na entrevista, à margem de uma conferência em Bruxelas organizada pela Comissão Europeia, o braço Executivo da UE.
"Quando olhamos para o próximo ano, os números são significativos, mas não estão fora de contexto em relação ao que foi feito até agora", acrescentou, destacando que as perspectivas eram muito incertas, quando a ajuda começou a ser definida.
A situação financeira da Ucrânia é terrível, devido à ofensiva russa, e o presidente Volodimir Zelensky pediu aos doadores internacionais que cubram o buraco orçamentário de US$ 38 bilhões de seu país até 2023.
Georgieva disse que os Estados Unidos e a UE prometeram novos fundos para manter o orçamento ucraniano no próximo ano, recursos que devem ser suficientes para ajudar a Ucrânia, embora o rumo da guerra ainda seja desconhecido.
"E onde está o dinheiro? Bem, a UE comprometeu 18 bilhões de euros. Isso é 1,5 bilhão por mês para o próximo ano. Os Estados Unidos comprometeram 18 bilhões de dólares, outros 1,5 bilhão por mês", disse ela.
Os países ocidentais insistem em que manter a Ucrânia de pé é de importância histórica, apesar das dúvidas sobre se a economia ucraniana pode sobreviver por muito mais tempo.
O chanceler alemão, Olaf Scholz, chamou o pacote de ajuda de "um Plano Marshall do século XXI", referindo-se ao esforço para reconstruir a Europa após a Segunda Guerra Mundial.
"No FMI, estamos trabalhando em um programa para a Ucrânia. Então, com base na incrível resiliência do povo ucraniano, o mundo deu um passo à frente" ao organizar a ajuda, acrescentou.
- Questões importantes -
Esses compromissos são, no entanto, acompanhados de questões importantes.
A UE, por exemplo, ainda não cumpriu totalmente a promessa de 9 bilhões de euros para este ano, em meio aos questionamentos da Alemanha sobre se a Ucrânia está em condições de receber empréstimos.
Problemas semelhantes já surgiram em Washington, onde uma importante autoridade do Partido Republicano disse que os EUA não iriam mais escrever um "cheque em branco" para a Ucrânia, após as eleições legislativas de 8 de novembro.
Em um cenário de referência altamente instável, o FMI calculou as necessidades financeiras mensais da Ucrânia em cerca de 4 bilhões de euros e, possivelmente, até 5 bilhões, se a guerra se agravar ainda mais.
A Ucrânia recebeu cerca de 35 bilhões de dólares em doações e empréstimos em 2022, "a maior parte já desembolsada", disse a diretora do FMI.
"O governo ucraniano fez um trabalho incrível na gestão da economia, a ponto de algumas partes dela começarem a crescer novamente", completou Georgieva.
Para a economista búlgara, a determinação demonstrada pelos ucranianos na guerra "tornou a Ucrânia um país melhor", com mudanças profundas como avanços tecnológicos acelerados.
O FMI sustenta, no entanto, que a economia ucraniana entrará em colapso brutal de 35% este ano, com a inflação disparada em 20%.