Publicada em 30/11/2022 às 09h21
A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) deflagraram, nesta quarta-feira (30), a operação Yoasi, contra fraude na compra de remédios destinados ao Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami (Dsei-Y), em Boa Vista. O esquema criminoso deixou pelo menos 10 mil crianças indígenas sem medicamentos, apontam as investigações.
São cumpridos 10 mandados de busca e apreensão na capital Boa Vista, expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da Justiça Federal no estado. Os alvos são empresários e servidores do Dsei-Y - órgão do Ministério da Saúde responsável pela saúde indígena Yanomami.
Entre os alvos da PF estão os dois ex-coordenadores do Dsei Yanomami Rômulo Pinheiro e Ramsés Almeida da Silva - exonerado no último dia 22, a farmacêutica Cláudia Winch Ceolin, o assessor de Ramsés, Cândido José de Lira Barbosa, e o empresário Roger Henrique Pimentel, dono da empresa Balme Empreendimentos LTDA - todos investigados por participação no esquema.
Pela manhã, a PF fez buscas na sede do Dsei-Y, e na casa dos investigados. O g1 tenta contato com a defesa dos citados.
A investigação foi aberta após o recebimento de um inquérito civil, conduzido pelo Ministério Público Federal (MPF), a partir de uma denúncia feita pelo Fantástico, sobre a situação dramática de crianças doentes, com desnutrição, malária e verminoses na Terra Indígena Yanomami. A reportagem exclusiva foi ao ar em novembro do ano passado.
A PF afirma que as suspeitas são de que apenas 30% de mais de 90 tipos de medicamentos fornecidos pela empresa contratada pelo DSEI-Y foram devidamente entregues. Com o apoio de agentes públicos, os recebimentos das entregas seriam fraudados e indicariam o cumprimento integral da contratação.
A apuração do MPF identificou, dentre outras irregularidades, que o remédio albendazol, usado para tratamento de verminose, foi entregue o Dsei-Y em quantidades inferiores ao adquirido para a saúde indígena.
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