Publicada em 17/01/2023 às 14h53
No Peru, o estado de emergência decretado pelo governo não desmotivou milhares de pessoas a continuar o périplo em direção à Lima para participar de protestos contra a presidente Dina Boluarte.
Em Humay, a 200 quilômetros da capital, a polícia bloqueou cerca de 200 representantes da etnia Chanca em uma estrada. O temor é que a repressão das forças de segurança aumente o balanço de mortos nas manifestações.
Desde o final do ano, ao menos 42 pessoas morreram nos protestos que exigem a saída da presidente Dina Boluarte. Ela é a sexta pessoa a ocupar a presidência em cinco anos, em um país que vive uma crise política permanente pontuada por suspeitas de corrupção.
No último domingo (15), o governo peruano decretou estado de urgência em Lima por conta das manifestações. A forte repressão levou a uma investigação da presidente Dina Boluarte por genocídio.
"Vamos à capital fazer ouvir nossa voz de protesto", promete Jimmy Mamani, um camponês andino que se preparava nesta segunda-feira (16), com centenas de companheiros, para percorrer 1.350 quilômetros de Puno, na fronteira com a Bolívia, até Lima. O deslocamento acontece após cinco semanas de protestos. “Queremos fazer uma mobilização pacífica, sem inconvenientes", acrescentou.
A região de Puno é o epicentro dos protestos no país. Uma greve por tempo indeterminado foi decretada desde 4 de janeiro.
Em entrevista à RFI, Stuardo Ralón, vice-presidente da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos (CIDH), expressa sua preocupação com a situação no Peru. “Condenamos todos os atos de violência. Nossa preocupação é que haja focos de violência que atrapalhem os protestos pacíficos”, afirmou. “Lembramos ao Estado que nas situações de violência, é preciso utilizar os princípios de legalidade, necessidade e proporcionalidade. Nessas manifestações que são majoritariamente pacíficas, pode haver atos de violência que não fazem parte dos protestos e é preciso que as autoridades gerenciem a situação de acordo com os padrões interamericanos”, acrescentou.
A CIDH expressou às autoridades do Peru o desejo de acompanhar as investigações sobre as mortes ocorridas durante os protestos para assegurar uma apuração objetiva e independente.
Os protestos acontecem desde a demissão e prisão, em 7 de dezembro, do presidente socialista Pedro Castillo. Mais de 600 pessoas ficaram feridas nas manifestações que se seguiram. Castillo havia sido acusado de uma tentativa de golpe por querer dissolver o Parlamento que estava prestes a derrubá-lo do poder.