Publicada em 07/07/2023 às 15h28
O governo de coalizão do primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, caiu após negociações turbulentas entre os quatro partidos no poder sobre a política de acolhimento dos refugiados. A informação foi divulgada pela imprensa local na noite desta sexta-feira (7).
"O governo não conseguiu chegar a um acordo sobre as medidas a tomar para limitar o fluxo de solicitantes de asilo", reportou em seu site a rádio e TV pública holandesa NOS. "É, portanto, o fim do governo Rutte IV", acrescentou.
Apelidado de "Teflon" por sua capacidade de permanecer no poder por 12 anos, apesar dos escândalos - tornando-se assim o primeiro-ministro a ficar mais tempo no cargo na história holandesa -, Rutte assumiu as rédeas de sua quarta coalizão em janeiro de 2022, após um recorde de 271 dias de negociação.
Mas o chefe de governo, do partido liberal de direita VVD, enfrenta nos últimos dias problemas entre seus parceiros de direita e de centro, ao exigir que eles adotassem uma série de medidas controversas sobre a recepção de requerentes de asilo.
Uma das iniciativas mais polêmicas é a criação de um sistema de quotas para o número de crianças oriundas de zonas de conflito que podem obter asilo na Holanda. Refugiados já estabelecidos no país não poderiam mais ser acompanhados por seus filhos se o limite mensal de 200 crianças já fosse atingido.
Os pedidos de asilo na Holanda aumentaram em um terço no ano passado, alcançando mais de 46 mil. E o número deve aumentar ainda mais, ultrapassando 70.000 este ano.