Publicada em 22/01/2025 às 11h02
Donald Trump tomou posse e poucas horas depois colocou em prática uma série de promessas de campanha, entre elas a de retaliar membros do governo Joe Biden e de demitir o que ele chama de burocratas para substituí-los por aliados.
O republicano demitiu nesta terça (21) pelo menos quatro funcionários seniores da gestão Biden -e fez o anúncio no estilo Trump, com uma publicação na sua plataforma, a Truth Social.
"O meu Escritório de Pessoal Presidencial está ativamente no processo de identificar e remover mais de mil nomeações presidenciais da administração anterior, que não estão alinhados com nossa visão de tornar a América grande novamente", afirmou Trump, mencionando o seu principal slogan. "Que isto sirva como notificação oficial de demissão para esses quatro indivíduos, com muitos mais a caminho."
Foram demitidos Brian Hook, ex-funcionário do Departamento de Estado e que trabalhava no conselho do think tank Wilson Center; José Andrés, que atuava no Conselho do Presidente sobre Esportes, Fitness e Nutrição; Mark Mille, general aposentado do Conselho Consultivo de Infraestrutura Nacional; e Keisha Lance Bottoms, ex-prefeita de Atlanta que estava no Conselho de Exportação do Presidente.
"Vocês estão demitidos!", escreveu Trump na mensagem, emulando uma frase clássica que ele usava quando apresentava o programa "O Aprendiz" na televisão.
As exonerações ocorreram pouco depois de Trump ter assinado, na noite de segunda, uma ordem que retoma uma medida de seu primeiro governo (2017-2020) e diminui a proteção de certos funcionários federais de carreira, o que facilita a demissão.
Nos EUA, essa iniciativa é chamada de "Schedule F" (agenda F) e foi revertida por Biden no início do mandato anterior. O democrata ainda pediu regulamentos claros estabelecendo proteção civil a cerca de 4 mil funcionários federais.
Na prática, a regra de Trump tira a estabilidade de servidores que atuam em áreas políticas para que o novo presidente possa indicar pessoas de confiança. A decisão está em sintonia com o que ele prometeu durante a eleição. Já durante a campanha, o republicano havia defendido a necessidade de desburocratizar o Estado.
Ao assinar a ordem facilitando as demissões, Trump afirmou: "Estamos nos livrando de todo o câncer, o câncer causado pela administração Biden".
Embora diga não ter relação com o Projeto 2025, documento elaborado por ultraconservadores com propostas para o governo Trump, o aparelhamento do Estado é um dos elementos do texto.
Trump demitiu neste início de governo a comandante da Guarda Costeira dos EUA, Linda Lee Fagan, a primeira e única mulher a chefiar um órgão das Forças Armadas americanas. O presidente a culpa por problemas na fronteira com o México.
Ela também teria sido demitida por encobrir a Operação Fouled Anchor -uma investigação que apontou casos de agressão sexual na Academia da Guarda Costeira. Fagan teria falhado em reportar as denúncias às autoridades competentes, de modo que um dos argumentos usados em sua exoneração foi a "erosão da confiança".
Em outra frente, o presidente assinou ordem que revoga a autorização para que 51 ex-funcionários da inteligência dos EUA tenham direito a serviços especiais de segurança. Esses ex-funcionários assinaram uma carta em 2020 na qual afirmavam que emails então atribuídos a Hunter Biden, filho de Joe Biden, tinham marcas do governo da Rússia, indicando que se trataria de um movimento de desinformação.
Os emails em questão traziam mensagens segundo as quais Hunter teria apresentado o pai a um executivo da área de energia da Ucrânia, num episódio negativo para a então campanha de Biden devido ao suposto conflito de interesses.
Trump acusa os agentes de terem tramado com a campanha do democrata para impactar a eleição, na qual o republicano foi derrotado -e até hoje não admite ter perdido. "Eles deveriam ser processados pelo que fizeram", disse Trump durante a campanha. Agora, o presidente coloca em prática o plano de retaliação.
O republicano ainda cumpriu a promessa de mandar de volta aos escritórios os funcionários federais que atuam em trabalho remoto ou híbrido. Ele assinou uma ordem determinando o fim desse esquema de trabalho.
Nos EUA, em novembro do ano passado, 23,3% dos trabalhadores fizeram home office em tempo integral (10,9%) ou parcial (12,4%), segundo dados da Agência de Estatísticas do Trabalho do país.
Isso corresponde a 36,6 milhões das 157 milhões de pessoas analisadas no escopo da pesquisa. Entre os funcionários federais, grupo alvo de Trump, esse índice foi de 35,4% em novembro, dos quais 21,3% trabalharam em sistema híbrido, e 14,1% atuaram todo o tempo de forma remota.
A flexibilidade foi permitida entre os funcionários do governo graças a um acordo feito por Biden.