AFP
Publicada em 12/07/2022 às 15h21
Um dos favoritos a liderar o Partido Conservador britânico, o ex-ministro da Economia Rishi Sunak evitou, nesta terça-feira (12), criticar Boris Johnson no lançamento de sua campanha, dia da oficialização das candidaturas para a sucessão do polêmico primeiro-ministro.
O político conservador de 42 anos evitou criticar seu ex-chefe, o qual considera "uma das pessoas mais extraordinárias que já conheci e que, não importa o que digam alguns comentaristas, tem um bom coração", disse ele no lançamento oficial de sua campanha.
Sunak renunciou na semana passada, juntamente com outro ministro, em protesto contra o governo de Johnson atormentado por escândalos. A saída deflagrou uma onda de demissões no governo e a renúncia do premiê.
Há uma semana, o ex-ministro é alvo de virulentos ataques de apoiadores de Johnson, que o acusam de ter causado a queda do primeiro-ministro.
"Tive divergências com ele? Sim, e por isso renunciei", explicou, recusando-se, no entanto, a "demonizar Boris, exagerar seus defeitos, ou a negar seus esforços".
Johnson permanecerá em Downing Street como primeiro-ministro até que seu partido anuncie seu sucessor, o que deve acontecer em 5 de setembro.
- Corte de impostos -
Neste momento, dez candidatos concorrem à liderança dos conservadores e, em consequência, ao cargo de primeiro-ministro.
O prazo oficial para apresentação de candidaturas termina hoje. Um dos candidatos, o ministro dos Transportes, Grant Shapps, decidiu abandonar a corrida.
As casas de apostas situam Rishi Sunak e a ex-ministra da Defesa Penny Mordaunt como os dois principais favoritos, seguidos da ministra das Relações Exteriores, Liz Truss. E a ministra do Interior, Priti Patel, acabou recuando na confirmação de sua candidatura.
Por enquanto, a campanha se limitou a alguns vídeos eloquentes, polêmicas e promessas vagas. A maioria dos candidatos garante que aplicará um corte de impostos, sem dar detalhes de como pretendem financiar suas medidas.
Rishi Sunak foi, por sua vez, mais cauteloso quanto à aplicação desta medida em um contexto de forte inflação. "É uma questão de 'quando', não de 'se'" serão realizadas, afirma.
"Devemos recuperar os valores conservadores na economia. Isso significa honestidade e responsabilidade, não contar contos de fadas", alfinetou.
Durante o período à frente do Ministério da Economia, Sunak foi criticado por não ter feito o suficiente para evitar o aumento do custo de vida.
- Moção de censura -
A Comissão 1922, grupo parlamentar conservador encarregado de estabelecer as regras da eleição que elegerá o líder do partido, anunciará as candidaturas em disputa, oficialmente, nesta terça.
São necessários 20 patrocinadores para que as inscrições sejam aceitas.
Estão previstas duas rodadas de votação: na quarta e na quinta (e, se necessário, na segunda), deixando dois candidatos na disputa final pelo cargo. A última votação será aberta apenas aos membros do partido.
O Partido Trabalhista britânico pretende apresentar uma moção de censura no Parlamento nesta terça, a qual deverá ser votada amanhã, segundo fontes do partido.
Os trabalhistas esperam conseguir o apoio de deputados conservadores para que Johnson deixe Downing Street o mais rápido possível.
"Não podem deixar que isso se mantenha durante semanas, até 5 de setembro. Seria intolerável para o país", afirmou o líder da oposição, Keir Starmer.
Há pouca esperança de que essa moção ganhe o apoio dos "Tories", já que, se aprovada, poderia levar à realização de eleições gerais. E, nelas, os conservadores correm o risco de perder a maioria alcançada em 2019 com a popularidade de Johnson.
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