
Sérgio Pires
Publicada em 26/02/2025 às 08h16
POLÊMICA NO LEILÃO DE PRIVATIZAÇÃO DA BR 364, PREVISTO PARA ESTA QUINTA-FEIRA EM SÃO PAULO. VAI MESMO SAIR?
Se não houver alguma decisão judicial de última hora, nesta quinta-feira acontecerá um dos mais polêmicos leilões para privatização de uma rodovia federal do país. O trecho entre Vilhena e Porto Velho, incluindo alguns quilômetros em direção ao Acre, entre 700 e 750 quilômetros da BR 364, poderá, caso o leilão desta quinta se realize mesmo, ser entregue a uma empresa/um consórcio que não terá concorrência e que, a partir daí, terá direitos sobre este trecho durante 30 anos. At condições são extremamente favoráveis para quem vencer e pelo menos preocupantes para o usuário. Por que? Ora, porque não prevê a duplicação de toda a extensão que será leiloada. Apenas entre 110 e 133 quilômetros serão duplicados. Nos demais, serão feitas pequenas obras, pistas laterais e um ou outro investimento mais importante. Outra: as obras deverão começar a partir do terceiro ano da validade do contrato, ou seja, em 2028, mas o usuário começará a pagar os sete pedágios entre a Capital e Vilhena de imediato. No resumo da ópera, a vencedora do leilão vai faturar algo em torno de 1 bilhão de reais por ano, mas só precisará iniciar as obras de melhorias, incluindo a duplicação, quando tiver colocado 3 bilhões em seus cofres.
Na bancada federal rondoniense, o senador Jaime Bagattoli não quer saber da privatização do jeito que está planejada. Tomou duas decisões objetivas: pediu que o Tribunal de Contas da União analise todos os detalhes do contrato e quer que o ministro Renan Calheiros seja convocado ao Senado para explicar os detalhes do contrato. “Fui fortemente contrário à privatização da BR-364 desde o início e por vários motivos. Trata-se da única rodovia que liga os estados de Rondônia, Acre e Amazonas ao resto do país, além de ser a principal via de escoamento da produção do noroeste do Mato Grosso e do interior de Rondônia. Sem falar dos custos que serão pagos pela população e também pelo setor produtivo durante o escoamento das safras, já que está prevista a implantação de vários pedágios, ao longo dos mais de 700 quilômetros da rodovia. Não podemos privatizar as coisas de qualquer jeito, sem pensar no impacto que isso terá no dia a dia da população”. O deputado Thiago Flores também apresentou vários questionamentos, pedindo informações sobre o projeto. E quer saber porque não houve participação das autoridades, lideranças e população do Estado, na discussão da proposta.
PEDÁGIO ENTRE PORTO VELHO E CANDEIAS FOI SUSPENSO, MAS NÃO SE SABE SE HAVERÁ OUTRAS “PEGADINHAS” NO PROJETO
A verdade é que a duplicação da BR 364, do jeito que está posta, pode representar, por exemplo, que um caminhão de oito eixos, que faça o trajeto de ida e volta da Capital ao extremo sul, acabe pagando, no mínimo, 1.890 reais de pedágio. E o usuário de veículos de passeio paguem, no mínimo, 19 reais a cada 100 quilômetros, ou seja, pagaria 133 reais na ida e mais 133 reais na volta, neste trajeto. Por enquanto, nesta questão, houve apenas uma vitória. Um protesto veemente de parte da bancada federal, na época com Fernando Máximo à frente, se conseguiu mudar uma heresia proposta no projeto original: foi retirado dele um pedágio entre Porto Velho e Candeias, que seria perto das Irmãs Marcelinas e passado para depois de Candeias, para quem vai ao sul. Imagine-se se esse achaque previsto contra os moradores da Capital e de Candeias, cidades vizinhas, tivesse sido mantido?
Pegando um exemplo de alguém que reside em Candeias do Jamari e tivesse que vir a Porto Velho para um tratamento de saúde. Deixaria 19 reais na ida mais 19 reais na volta, naquele fatídico pedágio previsto entre as duas cidades. Em cima deste exemplo, se poderia usar outros milhares. São por coisas assim, já que nem sequer foram discutidas em audiências públicas, sequer anunciadas ao público e com zero participação na Capital, que o projeto de privatização está sendo contestado. O que mais haveria nele que não sabemos? Enfim, vamos aguardar para ver se haverá bom senso ou se o contrato será mantido.
QUASE UM MÊS DEPOIS, CASA CIVIL CONTINUA SEM SECRETÁRIO E O PRÓPRIO GOVERNADOR ACUMULA MAIS ESTA MISSÃO
O tempo passa. Caminhando para um mês sem que a Casa Civil do governo tenha um titular, neste período quem tem nas mãos as decisões políticas, pessoalmente, é o governador Marcos Rocha. Nos bastidores palacianos, embora ainda se dê como certa a unção do secretário de Obras, Elias Rezende, para substituir Júnior Gonçalves, que permaneceu no cargo por mais de seis anos, até agora não há sinais de que isso vá acontecer de imediato. Ouve-se que a decisão sairá após o carnaval. Nos últimos dias, foi o próprio Governador quem recebeu deputados; quem conversou com a Assembleia para que o Orçamento de 2025 tenha sido aprovado sem as emendas parlamentares e quem recebeu convidados e autoridades. A questão é: até quando Rocha vai conseguir acumular tantas missões, além das de comandar toda a estrutura do governo e, ainda, percorrer vários municípios ou entregando ou anunciando obras e parcerias. Não há informações oficiais, mas o que se sabe pelos corredores (geralmente bem informados) é que o clima de tensão no Palácio deu uma amenizada importante.
Quem mais, além de Elias Rezende, estaria cotado para a Casa Civil? O próprio Marcos Rocha só trata do assunto com seu travesseiro. Não comenta e quando perguntado responde que está analisando currículos e comportamentos, antes de se decidir. Há sim nomes citados aqui e ali, mas nenhum deles pelo próprio Rocha. Neste sentido, a boataria ainda corre solta. E as perguntas são: quem será o escolhido? E quando? Só o próprio Marcos Rocha tem as respostas.
CIRURGIA A LASER PARA CÁLCULOS RENAIS: TRATAMENTO RÁPIDO E INDOLOR, OUTRO AVANÇO NA MEDICINA RONDONIENSE
Vai longe o tempo em que se dizia que os melhores tratamentos de saúde para o rondoniense eram os aviões que partiam do aeroporto Jorge Teixeira para os grandes centros. Hoje temos aqui não só alguns dos melhores médicos do país em suas especialidades, como também estruturas modernas de equipamentos cirúrgicos e para exames como os têm qualquer outro grande centro do país. Os exemplos são inúmeros. O último vem do Hospital Central, que além de uma equipe médica de especialistas muito qualificados, investiu numa tecnologia moderna, que faz o procedimento por meio de cirurgias de cálculo renal a laser. Aquela cirurgia em que as dores insuportáveis das chamadas “pedras nos rins”, que alguns comparam a dor do parto, agora são feitas em poucos minutos, permitindo que o paciente saia do hospital em poucas horas e não precise mais ficar internado para se recuperar.
Um dos médicos, o dr. Alexandre Falchetti, durante uma reportagem da TV Band, mostrou como funciona a inovação, onde a paciente que tinha não só a famosa “pedra” os rins, mas também infecção causada pelo cálculo renal, foi submetida ao tratamento, indolor e sem corte, já que o procedimento é feito pelo canal urinário. Curada, pouco tempo depois a paciente já estava apta a voltar à vida normal, agora sem dor. Da direção aos médicos e aos funcionários do Hospital Central, todos estão comemorando mais este avanço.
MOSQUINI COMEMORA: GOVERNO VOLTA ATRÁS E LIBERA FINANCIAMENTO DO PLANO SAFRA
A bancada da Agricultura e da Pecuária comemora. Depois de grande pressão, o governo Lula voltou atrás e decidiu liberar 4 bilhões de reais para os financiamentos do Plano Safra de 2024/2025. A decisão era de cortar tudo, sob alegação de que o Congresso ainda não havia votado a Lei do Orçamento Anual (LOA) e que, sem isso, não haveria recursos orçamentários. Na verdade, foi uma tentativa de pressão (para não dizer um tipo de chantagem) para que os parlamentares votassem o Orçamento, porque, sem ele, o Governo pode ficar paralisado, quando se entra no terceiro mês do ano. As negociações duraram vários dias. Envolveram vários políticos e o Planalto, até que saísse o acordo. Segundo o deputado Lúcio Mosquini, da bancada do agronegócio e membro da direção do grupo, “Isso tudo foi resultado de um trabalho político; de gestão política, sem gritaria, sem ataques. Tudo na base do diálogo”, comemora.
Para resolver o impasse, o governo fez acordo com o Parlamento, criando uma Medida Provisória para a utilização de recursos extraordinários, para poder manter os financiamentos do Plano Safra. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, assinou o documento, já publicado no Diário Oficial. A liberação causa um alívio ao setor produtivo. Sem os financiamentos, poderia haver grande prejuízo à produção nacional, com acentuado aumento no custo final dos alimentos, principalmente.
O PERIGO VEM DE CIMA: CHUVAS TORRENCIAIS EM FEVEREIRO E PREVISÃO IGUAL EM MARÇO ASSUSTA O RONDONIENSE
De assustar! Na noite do domingo, choveu em Porto Velho e grande parte de Rondônia nada menos do que 70 milímetros, o que era previsto para quase cinco dias de chuva neste mês. No fevereiro inteiro, a meteorologia previu 316 milímetros, mas até o dia 24, a segunda-feira desta semana, já haviam caído nada menos do que 42 milímetros. Quando há uma chuvarada como a que houve no domingo, com dois temporais seguidos, um por volta das 20h30/21 horas e outro depois das 22 horas, obviamente que grande parte da cidade fica alagada. Casas são invadidas. Perdem-se móveis, eletrodomésticos, roupas, enfim, centenas e centenas de famílias são atingidas. O prefeito Léo Moraes tem lutado com todas as suas forças, reunindo equipes de diferentes secretarias e tem feito o que pode. Aqui e ali há claras melhorias, pela limpeza de canais; por obras de desobstrução de bocas de lobo e outros locais onde a água ficava retida em que, mesmo com a chuva torrencial, não houve mais alagamentos. Mas, no geral, com este problema que se acumula há décadas, não há muito mais a fazer, a não ser esperar o milagre do dinheiro, ou seja, que Porto Velho consiga no mínimo meio bilhão de reais para investir em obras de infraestrutura, para combater as alagações definitivamente.
Para o mês de Março, as previsões também não são boas para a Capital e para todo o Estado. Dos 31 dias do terceiro mês do ano, a meteorologia prevê o que chama de “chuva pesada”, ou seja possibilidade de temporais e queda de chuva acima da média normal, em pelo menos 12 dias do mês. O inverno amazônico ainda não chegou nem perto do seu final e as perspectivas são ainda de muita chuva. O rio Madeira ainda está longe de transbordar, mas rios do interior, como o Machado, em Ji-Paraná, já está tirando famílias de suas casas. Tempos difíceis, mais uma vez, para o rondoniense, que recém saiu de uma seca histórica!
LULA TEM MAIOR REJEIÇÃO ENTRE SEUS TRÊS MANDATOS: 44 POR CENTO ACHAM SEU GOVERNO RUIM OU PÉSSIMO
Ótimo: 9,3%. Bom: 19,4%. Regular: 26,3%. Ruim: 12%. Péssimo: 32%. Não sabe/Não responderam: 1%. Os números da Pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNGT), geralmente confiável, demonstra a queda vertiginosa do atual governo perante a opinião pública. Os que apoiam Lula, somando ótimo e bom, chegam a apenas 28,7%. Para 26,3% o governo é apenas regular, ou seja, meia boca. Já a rejeição, com a soma do ruim e péssimo, bate nos 44%, um índice jamais atingido pelo atual Presidente em nenhum dos seus governos anteriores. Cada vez que Lula abre a boca, nos seus discursos de improvisos e tentativas de fazer piada com assunto sério, os apoios a ele caem ainda mais. O maior número para o atual mandato dele e o maior entre todos os mandatos, apontam que, em relação à pesquisa anterior, feita em novembro do ano passado, houve queda na aprovação do governo. Para a pesquisa, a CNT coletou 2.002 entrevistas em 137 municípios de 25 unidades da Federação. Os dados foram levantados entre os dias 19 e 23 de fevereiro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.
As questões da economia, o risco de aumento da inflação, o preço superlativo dos alimentos, comparados com os dos últimos anos; o aumento dos preços da gasolina e do gás, contrariando as várias promessas de campanha de que isso não ocorreria e discursos infelizes do Presidente, certamente têm colaborado para este cenário. Infelizmente para o Governo, não há sinalização de que a situação possa mudar, ao menos a curto prazo. Esperemos, pois, as próximas pesquisas confiáveis, que não sejam da Globo e nem da Folha...
EYDER MOSTRA A QUE VEIO: MESMO COM MANDATO MAIS CURTO, TEM PRODUZIDO MUITO EM POUCO TEMPO
Parece outra pessoa, sem dúvida é outro político. O deputado Eyder Brasil, que assumiu novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa quando o titular dela, Afonso Cândido, foi eleito deputado de Ji-Paraná. Em seu primeiro mandato, Eyder teve um mandato de quatro anos com muito menos brilho do que tem tido neste pouco tempo de atuação nessa sua volta. Tem projetos importantes aprovados, apoia inúmeras iniciativas sociais, está sempre em busca de soluções para problemas da coletividade, tem circulado pelo Estado, ouvindo a população. O próprio parlamentar tem dito que quer fazer dos dois anos que tem de mandato (até o final de 2026), mais do que nos primeiros quatro anos. “Foi Deus quem me deu uma segunda chance”, repete a quem pergunta sobre sua volta à Assembleia Legislativa. Seu trabalho não se restringe apenas a Rondônia, mas ele tem ido a Brasília e participado ativamente na busca de soluções para os problemas do Estado.
Na semana passada, por exemplo, Eyder participou, junto com o presidente Alex Redano e dezenas de autoridades do Estado, da posse do desembargador Gilberto Barbosa como presidente do Colégio Permanente de Corregedoras e Corregedores-Gerais dos Tribunais de Justiça do Brasil. Ter um mandato participativo, com trabalho duro e buscando encaminhar soluções para os problemas que afligem o rondoniense e, ao mesmo tempo, priorizar as ações sociais em benefício dos que mais precisam, são, segundo o parlamentar, suas metas prioritárias. Em pouco tempo neste segundo mandato, Eyder está mostrando a que veio.
PERGUNTINHA
Neste momento em que a volta do vírus da Covid (embora agora não de forma mortal) esteja atingindo muita gente, tanto em Rondônia como no país inteiro, você soube de alguma decisão sobre a suspensão dos desfiles do carnaval, locais de enorme concentração de pessoas e onde é também superlativo o risco de contágio do vírus?
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