Pastor preso esta semana por estupro receberá indenização de R$ mil de jornal do Pará / Imagem.: Reprodução
Porto Velho, RO – O que ocorreu em Rondônia nos últimos sete dias envolvendo o pastor evangélico Alcindo Cristóvão Miranda – conhecido como Pastor Índio – fugiria à imaginação dos melhores roteiristas de Hollywood.
Na sexta-feira passada (30), o juiz de Direito Jorge Luiz de Moura Gurgel do Amaral, 2ª Vara Cível de Porto Velho, condenou a empresa Paraguassu Edição Ltda, cujo nome de fantasia é “Folha do Pará”.
Na decisão, o magistrado fixou em mil reais a indenização por danos morais alegados pelo religioso em ação movida contra o noticiário (confira a íntegra da sentença ao final da matéria).
Miranda alegou que a “Folha do Pará” teria utilizando sua imagem equivocadamente. Relatou que o jornal informara a prisão de um pastor pela prática do crime de estupro contra vulnerável em Manaus.
Sustentou ser pastor, e que a utilização de sua imagem veiculada pelo jornal teria causado abalo moral. Porque, segundo contou, após a reportagem pessoas de seu grupo religioso passaram a comentar o fato. Concluiu noticiando que a reportagem forçou sua família a se retirar da cidade, e que a acabou perdendo a função que exercia na igreja.
Fato é que o noticiário paraense realmente teria se equivocado, pois reportou crime praticado por pessoa de nome completamente diferente utilizando a imagem de Cristóvão para ilustrá-lo.
“Assim, a dimensão da vergonha e constrangimento suportados por alguém de reputação ilibada não pode ser valorada na mesma proporção de alguém condenado criminalmente por outro estupro de vulnerável, como o autor e teve sua imagem exposta amplamente pelos meios de comunicação”, entendeu o magistrado.
Quatro dias depois, a prisão
Não deu nem tempo para Alcindo Cristóvão, o pastor pedófilo, comemorar a decisão que lhe rendeu mil reais em indenização por dano moral.
Na terça-feira (04), policiais da 4ª Delegacia de Polícia (DP) de Porto Velho, sob o comando do delegado Sérgio Condelli, deram voz de prisão ao criminoso.
A diligência fora motivada por uma denúncia anônima dando conta de que um foragido estaria aquartelado em residência próxima à Delegacia. Havia dois mandados de prisão em aberto contra o cidadão sentenciado a oito anos de prisão em regime fechado por estupro de vulnerável.
Rondônia Dinâmica foi à 4ª DP conversar com o titular.
"Nós cumprimos os mandados de prisão porque uma denúncia anônima foi apresentada nesta Delegacia apontando o possível esconderijo do cidadão. Fizemos a diligência utilizando agentes à paisana e constatamos a veracidade do informe", conta Condelli.
Sérgio Condelli, responsável por tirar Miranda de circulação / Foto.: Gregory Rodriguez (Rondônia Dinâmica)
Segundo o delegado, o pastor não resistiu.
"Ele estava tranquilo. Não fez questão de usar nome falso ou se disfarçar. Estava só esperando o momento de ser preso. Já foi encaminhado ao Pandinha [Penitenciária de Médio-Porte]", relata.
Condelli disse ainda que, caso novas vítimas apareçam em decorrência da prisão de Índio, devem procurar a DEPCA [Delegacia Especializada de Proteção a Criança e ao Adolescente], responsável por casos que envolvam menores.
“Mas a 4ª DP também está à disposição para receber as denúncias, realizando todos os procedimentos de praxe e encaminhando, em seguida, à Delegacia competente. Estamos à disposição da população”, conclui o delegado.
A decisão que condenou a "Folha do Pará"
Autor / Fonte: Rondoniadinamica
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