
Publicada em 31/03/2025 às 08h38
Francisco Costa - Voz da Terra - Em 2024, a comunidade quilombola Pedras Negras, localizada no município de São Francisco do Guaporé, Rondônia, registrou níveis alarmantes de poluição por fumaça devido às queimadas na região. A concentração de material particulado fino (PM2.5) atingiu uma média de 44 µg/m³, ultrapassando em 193% o limite de 15 µg/m³ estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
O Voz da Terra em parceria com o InfoAmazonia esteve na comunidade para documentar os desafios enfrentados pelos moradores. A viagem até Pedras Negras revelou o isolamento da região: são 132 km desde a sede urbana de São Francisco do Guaporé, percorridos em aproximadamente cinco horas de barco pelo rio Guaporé.
A comunidade, composta por cerca de 102 pessoas distribuídas em mais de 30 famílias, depende do turismo de pesca, extrativismo de castanha e agricultura para sua subsistência.
Mas as queimadas comprometeram essas atividades econômicas em 2024. A densa fumaça impediu a aterrissagem de aviões com turistas, resultando em um prejuízo para os proprietários de pousadas estimado em mais de R$ 232 mil devido à perda de alimentos e bebidas estocadas para a temporada.
Além do impacto econômico, a saúde dos moradores foi severamente afetada. A infraestrutura de assistência médica limitada da comunidade, dificultou o atendimento adequado durante esse período crítico.
O município de São Francisco do Guaporé, onde se situa Pedras Negras, possui uma população de 16.286 habitantes e tem sua economia fortemente baseada na pecuária.
A região do Vale do Guaporé, além de sua importância econômica, é reconhecida por sua riqueza ambiental e cultural, abrigando diversas comunidades tradicionais e quilombolas.
