
Publicada em 31/03/2025 às 10h25
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve conversar nesta semana com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, para discutir a guerra que a Ucrânia enfrenta há mais de três anos contra a Rússia.
A informação foi dada pelo próprio petista neste sábado (29), em entrevista a jornalistas pouco antes de encerrar o giro de viagens ao Vietnã e ao Japão.
"Eu pretendo conversar sobre isso [fim da guerra] outra vez com o [presidente da Rússia, Vladmir] Putin. E, nesta semana, tem um telefonema do Zelensky para mim, e eu vou conversar com o Zelensky. Eu espero que agora ele esteja preocupado com a paz porque até agora ele não estava", disse Lula.
O presidente brasileiro é um dos defensores de uma mesa de negociação entre Rússia e Ucrânia para um acordo de paz. Os países estão em guerra desde fevereiro de 2022, quando tropas russas invadiram o leste ucraniano.
A proposta de mediação tem sido levada e apresentada por Lula em diversas oportunidades e encontros internacionais. Ao lado do Brasil, a China também defende uma negociação entre os países com a participação de outros atores internacionais.
Em janeiro, o presidente Lula conversou com Vladimir Putin por telefone. Na agenda, segundo o Palácio do Planalto, Putin teria "demonstrado interesse" na criação de um grupo de países para ajudar a mediar uma solução para o conflito.
À imprensa, o petista afirmou neste sábado que o fim do confronto entre russos e ucranianos é um "desejo" do Brasil. Ele também defendeu que, para isso, é preciso colocar Putin e Zelensky "em torno de uma mesa".
"A conversa para ter paz é colocar Putin e Zelensky em torno de uma mesa, com quem eles convidarem a participar, para parar de atirar e para eles plantarem comida e começarem a discutir a paz. Esse é o nosso desejo, é isso que o Brasil assinou com a China um documento e é isso que nós esperamos que aconteça", declarou.
Para Lula, a abertura de negociações entre Putin e Zelensky "será muito melhor para a Europa e para o mundo".
"Até então, ele [Zelensky] achava que o Putin tinha que aceitar o acordo dele, do jeito que ele queria. E não é assim. Ninguém é o senhor da razão, achando que pode impor sua vontade sobre os outros", disse o presidente.
"Num conflito como esse, se os dois estiverem dispostos a negociar, será muito melhor para a Ucrânia, muito melhor para a Rússia, muito melhor para a Europa e muito melhor para o mundo", concluiu.
Divergências com Zelensky
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Na posse do presidente do Uruguai Lula disse que Zelensky foi humilhado por Trump
Apesar da defesa do Brasil para que os países cheguem a um pacto, Lula e Zelensky se distanciaram, ao longo do último ano, em razão de embates públicos por divergências sobre a forma de lidar com a guerra.
Lula, por exemplo, já disse que, se Zelensky fosse "esperto", diria que a solução para a guerra com a Rússia é diplomática, e não militar.
Zelensky, por sua vez, declarou que o brasileiro não é mais um "player" nas negociações entre Rússia e Ucrânia e que "o trem do Brasil já passou".
O desgaste na relação dos presidentes reflete a escassez de conversas entre os dois. Lula e Zelensky se reuniram pessoalmente uma única vez: em setembro de 2023, quando estavam em Nova York para participar da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em meio às divergências, ainda em 2023, Lula se recusou a encontrar Zelensky em Brasília, quando o ucraniano fez escala no Brasil para ir à posse de Javier Milei como presidente da Argentina.
Rússia e China
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Lula diz que Trump está 'no caminho certo' nas negociações sobre a guerra na Ucrânia
O presidente Lula confirmou que pretende viajar, em maio deste ano, para a Rússia e para a China. Segundo ele, a guerra na Ucrânia deve ser um dos temas das agendas nos países.
Prevista para 9 de maio, a viagem à Rússia acontecerá a convite de Putin. E servirá para celebrar, em Moscou, os 80 anos da vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial.
Depois, Lula deverá viajar para a China. Por lá, ele deve participar de um encontro entre o governo de Xi Jinping e países latino-americanos — região em que os chineses buscam ampliar a influência por meio de acordos comerciais e obras de infraestrutura.
"Eu pretendo ir à Rússia no dia 9 de maio para a comemoração dos 80 anos da vitória na Segunda Guerra Mundial, depois vou à China fazer uma reunião com a Celac e em todos esses fóruns eu vou tentar discutir a questão da paz", afirmou Lula neste sábado.